Utopia

    Era uma madrugada abafada quando ele abriu os olhos e viu uma fumaça muito clara. Levou um momento pra perceber as colorações contidas nela, todo o céu parecia estar tingido de cores, de uma maneira que nunca tinha visto antes.

      Não demorou muito para ver um grupo de pessoas que passavam, também coloridas e sorridentes, indo a algum lugar que ele não sabia onde. Abismado, saiu ao portão e, seguindo-as, encontrou uma grande multidão daqueles pessoas; todas elas com seus modos, suas cores e seu respeito mútuo.

  Aquelas pessoas rodeadas por cores o levaram pela mão como se ele não lhes fosse um completo estranho e, de repente, ele já se sentia confortável. “Como será possível?” pensou “nesse instante sinto-me realmente feliz como há tempos não me sentia!”.

  Havia danças, havia músicas, havia diversão, respeito e cores, muitas cores. Tudo era calmo naquele pequeno pedaço de mundo, todos se amando e se divertindo com irmandade.

  Então, de repente, uma garota de olhos dourados se destacou naquela brincadeira, seu olhos cobres pareciam tão encantadores quanto aquela festa, e ela o chamou para dançar. A garota dos olhos dourados era, então, tudo o que ele podia ver; o centro do mundo em espectros coloridos. Eles dançaram sem parar por horas a fio e ela cantava tão bem que tudo o que ele mais ansiava é que ela nunca parasse.

  Calmamente, então, ela se aproximou de seus lábios; os dela eram pequenos e recheado de dentes curtos que sorriam para o rosto de ambos perto demais. E a última coisa que ele sentiu, arrebatado, foi o toque doce dos lábios da garota.

O relógio então tocou.

  Ele acordou ensopado de suor e levemente assustado. Demorou-se olhando para o teto branco do quarto pequeno demais; relutante em acreditar que foi apenas um sonho. Cansado, mas com um fio de esperança inexplicável, se levantou e abriu a cortina pesada.

 O mundo lá fora era poluído em um tom negrejado, as pessoas eram vultos contrastantes de roupas sociais dos assalariados e de farrapos dos mendigos caídos nas sarjetas, as buzinas de carros e o som das construções eram, afinal, apenas assombrosos.

 Não havia cores.

“Um mundo em tons de cinza” concluiu, desolado.

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